
Há muito tempo que as lágrimas não caiam assim, há muito tempo que não olhava para trás, que não queria reviver nada daquilo que vivi, do bom e do menos bom.
Mas hoje é o momento, o momento que este blogue que tanto me confortou quando por razões da vida, nada mais confortava. Porque a vida é mesmo assim, feita de distância, de ausências, de tempos que não se contam. Há momentos em que temos de "voltar a casa". Este é o meu momento de voltar a casa, à casa dentro de mim. esta noite revi estes textos várias vezes, que coisas boas vivi, que momentos felizes tive. Sou uma pessoa feliz, sempre o fui. Os meus parâmetros de felicidade não são simples mas têm um olhar meu, que diferencio de tantos. Agora vejo que escrevi textos giros, textos alguns até belos, que não julgo conseguir repetir a proeza a não ser com um ditado. Julgo não ter perdido o jeito, mas algo se perdeu certamente. Não sei se perdi ou larguei ainda que sem querer. Às vezes largamos aquilo que está seguro porque achamos que não foge, esquecendo-nos do vento traiçoeiro, que acredito levará para alguém que mais precisa...Sim às vezes as pessoas precisam de emoções, emoções que lhes relembrem aquilo que gostam, aquilo que as faz sorrir, as faz chorar...ando com a memória desfeita. Preciso de ser relembrada, ou de viver não sei.
Mas há coisas que gosto de deixar como estão, porque são perfeitas assim enquanto assim permanecem. É como quando cortamos uma ponta de uma pétala, se cortarmos demais, nunca mais será a mesma e depois ao querer-mos arranjá-la, acabamos por cortá-la toda. Por isso este blog fica por aqui. Não deixarei de ter coisas para escrever, coisas sobre a MIM, mas talvez arranje outra forma de vos dizer, mostrar ou fazer chegar. Deixarei de escrever textos que nem eu própria compreendia por vezes, porque escrevia, escrevia e escrevia, num busca incessante por palavras soltas numa espera trágica de que juntas fizessem o quadro que ia na minha cabeça. Noutro blog escreverei sobre música que tanto gosto, arranjarei outro espaço também para falar das notícias da política que todos falam. Mais próximo de estereótipos? Talvez, mas aquilo que levo comigo, aquilo que me traz...anda sempre comigo, no meu ser, no meu...
Há coisas que farão sentido vidas inteiras para uns, dois segundos para outros. E vice-versa. Há coisas que para mim fizeram sentido o seu tempo. A procura de sentido continuará...de outra forma.
Há adeus anunciados, este acho que foi um deles. Há minha maneira é certo, mas foi…Mas há coisas a arrumar que não são as palavras, não é a escrita, não são textos. Deixei perguntas em textos que nunca consegui responder a mim própria. Perguntas, muitas ficam sem resposta mas há outras que precisam de respostas. Há palavras que tantas vezes escrevi para eu própria acreditar. Talvez fosse a força interior que se diz todos termos . Devia ser isso…
Ao rever os textos vi quanta revolta deixei nas palavras, talvez também a tenha deixado apoderar-se de mim em momentos, em gestos, em pedaços de mim que se continuam a construir. Há fogos que nos consomem, que nos queimam.
Sinto que deixei de escrever “lindamente”, talvez um bloqueio se quisermos facilitar as coisas, e tentar ser simpáticos. Mas falta-me conseguir apreciar determinadas coisas. Falta-me conhecimento, tenho sede como já tive.
Sinto que a maioria das coisas que me vão na alma, na cabeça, no pensamento não as consigo exteriorizar aqui, é como que um fim de linha. Que chorar só com musicas tristes, mas têm de ser mesmo muito tristes porque senão os olhos parecem ter tido pouco mais do que uma aparente infecção, resultante do pó que entrou nos olhos. Preciso de compreender a importância de tanta coisa. Vemo-nos por aí :) É sempre um até já.
Podia deixar aqui um "remind" de textos que escrevi, mas esses estarão por aqui mais algum tempo disponíveis. Prefiro recordar-me daquele texto que gostaria de ter escrito, mas como foi Pessoa, fico contente porque senão nunca ninguém o iria ler.
Fernando Pessoa - Dedicatória aos Amigos...
"Um dia a maioria de nós irá separar-se.
Sentiremos saudades de todas as conversas jogadas fora, das descobertas que fizemos, dos sonhos que tivemos, dos tantos risos e momentos que partilhamos. Saudades até dos momentos de lágrimas, da angústia, das vésperas dos finais de semana, dos finais de ano, enfim... do companheirismo vivido.
Sempre pensei que as amizades continuassem para sempre.
Hoje não tenho mais tanta certeza disso.
Em breve cada um vai para seu lado, seja pelo destino ou por algum desentendimento, segue a sua vida.
Talvez continuemos a nos encontrar, quem sabe... nas cartas que trocaremos.
Podemos falar ao telefone e dizer algumas tolices... Até que os dias vão passar, meses...anos... até este contacto se tornar cada vez mais raro.
Vamo-nos perder no tempo.... Um dia os nossos filhos vão ver as nossas fotografias e perguntarão: "Quem são aquelas pessoas?" Diremos...que eram nossos amigos e...... isso vai doer tanto! "
Foram meus amigos, foi com eles que vivi tantos bons anos da minha vida!" A saudade vai apertar bem dentro do peito.
Vai dar vontade de ligar, ouvir aquelas vozes novamente...... Quando o nosso grupo estiver incompleto... reunir-nos-emos para um último adeus de um amigo.
E, entre lágrimas abraçar-nos-emos. Então faremos promessas de nos encontrar mais vezes desde aquele dia em diante.
Por fim, cada um vai para o seu lado para continuar a viver a sua vida, isolada do passado.
E perder-nos-emos no tempo..... Por isso, fica aqui um pedido deste humilde amigo: não deixes que a vida te passe em branco, e que pequenas adversidades sejam a causa de grandes tempestades.... Eu poderia suportar, embora não sem dor, que tivessem morrido todos os meus amores, mas enlouqueceria se morressem todos os meus amigos!"


